sábado, 27 de agosto de 2005

O Mercado abre o jogo em entrevista exclusiva

No momento em que os veículos comuns da mídia publicam entrevistas pseudo-bombásticas com pessoas como Helio Narigudo, Michael Jefferson e Valdemário de Costa Beto, A Primeira Vítima mais uma vez pulou na frente e trouxe uma entrevista "olho no olho" com o Mercado

Do enviado especial ao lugar secreto que ninguém sabe onde fica

Todo mundo ouve e lê diariamente referências na imprensa e nas palavras de políticos, empresários e banqueiros a Ele. Seu modo de interferir na vida pública é justamente este: a via indireta. Nunca ninguém ouviu suas opiniões e expectativas diretamente, de sua própria boca. Poucos, ou pouquíssimos, já tiveram contato direto com Ele. A maioria dos que cita suas possíveis considerações sobre assuntos de importância estratosférica não passam de propagadores de suposições acerca do âmago das opiniões Dele.

Muito bem. Toda essa aura de mistério e inacessibilidade pode acabar agora. O Mercado enfim respondeu aos incessantes pedidos de entrevista de A Primeira Vítima e resolveu falar a esse veículo depois de "analisar minuciosamente seu comportamento publicista e perceber que o meio é vanguardista e ético, não tendo rabo preso com quaisquer interesses, nem mesmo sexuais".

APV: Mercado, quem é senhor?
M: Você sabe que tentar responder a essa pergunta é o motivo que me levou a conceder essa entrevista. Eu estou farto de ouvir um monte de gente que não me conhece falando coisas sobre mim e por mim sem qualquer conhecimento de causa. A maior parte de tudo isso, eu te digo isso com tintas vivas, é besteira. Está certo que eu sou falastrão, posso dizer até mesmo que sou fofoqueiro, já que estamos em uma entrevista aberta, olho no olho. Mas pensa comigo, se eu desse todas as entrevistas que seriam necessárias para o número de vezes que sou citado diariamente na mídia eu teria que dar entrevista durante 13824 horas por dia (O leitor desavisado pode pensar que o entrevistado falou um número aleatório, mas engana-se. O Mercado vai desmentir vários estereótipos atribuídos a ele, mas não o de ser bom de contas. 13824 é 24 - número de horas do dia - elevado ao cubo!). Cara, eu apareço mais na imprensa e na televisão que o Lulla, o Robinho, a Gazi e touro Bandido juntos, Porra!!

APV: O senhor admitiu que é fofoqueiro?
M: Vamos lá, hoje eu vou falar, doa a quem doer. Não vou deixar pedra sobre pedra, vou cortar fundo na própria carne. Eu sou fofoqueiro mesmo. Aliás, é essa característica que mais me define. Os meus fuxicos são poderosos. Minhas façanhas mais conhecidas foram a quebradeira da bolsa em 29, a crise do petróleo, a bolha da Nasdaq e a crise asiática, mas eu sou responsável por outros feitos, que eu, particularmente, considero muito mais interessantes. Quem você acha que espalhou que a Lady Dai andava dando em outros terreiros e que o Dentucinho Gaúcho gosta da fruta? Eu não resisto a essas pequenas maldades...

APV: Então o senhor gosta de um mal feito?
M: Se eu gosto? Eu adoro! Minha vida é espalhar um fuxico negativo. Eu me arrepio todo quando vejo as pessoas chocadas, com medo, angustiadas esperando pelo pior.

APV: Existe alguém pra quem você nunca conseguiu passar uma fofoca maldosa?
M: Existia.

APV: Então você conseguiu superar até a última pessoa? Quem é?
M: Infelizmente, e eu tenho que dizer isso pra você, eu não consegui superar essa filha... O pior é que a bendita ficou ainda mais famosa do que era nos últimos dias. A palhaça foi morrer! Eu já vinha tentando pegá-la desde os anos 20, mas nada. Essa morreu sem me dar o gostinho da vitória. Maldita Velhinha de Taubaté.

APV: Antes de terminarmos, peço ao senhor que responda a pergunta que disse que seria a única a ficar sem resposta...
M: Olha, rapaz, você não deve ter clareza da dimensão da dor que essa revelação poderia me gerar um tempo atrás. Eu adotei o mundo das fofocas maledicentes justamente como meio de me vingar daqueles que tripudiaram meus talentos para a previsão do futuro. Humilhado, resolvi mandar tudo às favas e infernizar o horizonte de todos. Mas já não é hora de arroubos. Então torno público meu nome completo: Valter José Torres Mercado, filho de espanhóis nascido em Belfor Roxo que nunca soube mais que imitar o sotaque da língua de Cervantes.

Nenhum comentário: