domingo, 25 de setembro de 2005

Cerro defende-se e diz que rampas são exemplo de planejamento

Para o prefeito, é preciso proteger os moradores (de residências) da Avenida Paulista

O prefeito de São Paulo, Sozé Cerro, rebateu hoje as críticas que ativistas sociais fizeram a seu projeto para tirar os moradores de rua instalados na travessia que liga a Avenida Paulista às Avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo. Segundoele, as queixas "são de pessoas anormais, que não ficam de saco cheio quando meninos de rua ficam pedindo dinheiro nas janelas de seus carros". Por isso, eles não entenderiam a necessidade urgente proteger as pessoas de bem.

A polêmica foi gerada por uma obra da prefeitura que visa a impedir que osmoradores de rua continuem dormindo embaixo do viaduto. A prefeitura está construindo rampas cobertas com concreto chapiscado sobre as calçadas.

Cerro defende que essa obra, além de fundamental para o bem estar dos moradores (de residências) da região da Paulista, é um exemplo de planejamento, palavra-chave durante sua campanha eleitoral de 2004. "Minha equipe de obras se reuniu durante dias pensando numa maneira eficazde mandar aquelas pessoas para longe dali. Um engenheiro muito competente teve a idéia de chapiscar a calçada, afinal é muito desconfortável dormir sobre uma superfície cheia de pontas. Mas eu, com meu conhecimento de mundo, lembrei que os faquires indianos deitavam até sobre pregos. Foi aíque eu tive idéia da rampa. Os caras poderiam até agüentar o chapisco, mas duvido e o dó que eles consigam dormir numa rampa. Quando eu falava em planejamento, era a isso que eu estava me referindo: é pensar antes de fazerpara fazer bem feito."

Em caráter exclusivo, o prefeito disse ainda que essa é só uma dentre as inúmeras medidas para disciplinar, limpar e trazer segurança para a cidade que seu governo pretende implantar. Segundo ele, tais iniciativas estão contidas num plano ambicioso que a prefeitura apelidou, carinhosamente, de "Não vai sobra pobre sobre pedra". As próximas medidas seriam espalhar tachinhas em todas as calçadas da cidade e instalar torneiras sob todas as marquises. Para quem não entendeu o princípio desta medida, o prefeito esclarece que elas seriam abertas e despejariam água nos dias de chuva, assim os moradores de rua não teriam vantagens em dormir rente às fachadas dos prédios mais elegantes.


Nota da redação: A Primeira Vítima esclarece que não foi para tentar bater o recorde mundial de extensão de texto entre aspas que reproduziu aquela fala imensa do prefeito no terceiro parágrafo da matéria acima. O que este noticioso faz é respeitar o acordo, ratificado por quase toda a imprensa, de dar todo oespaço possível para que os possíveis candidatos à presidência do PSBB digam o que quiserem.

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