terça-feira, 20 de setembro de 2005

Chefe da Polícia Faz-Geral pede liberdade para Paluf

Em documento secreto delegado argumenta que ex-prefeito é responsável por uma onda de furtos dentro dos prédios da PF-G

Do enviado especial, que nem mesmo vestido de polícia conseguiu falar com Paluf

A Primeira Vítima teve acesso exclusivo a um ofício da Polícia Faz-Geral endereçado ao Epson Morro do Vidigal, presidente do STJ, Superior Teatro de Justiça, em que o delegado-chefe solicita a concessão imediata de liberdade para o ex-prefeito e ex-óculos fundo-de-garrafa Saulo Paluf.

O documento, altamente suspeito, já começa estranho pela linguagem, alheia à praxe das comunicações oficiais. O texto da solicitação começa assim: "Véi, assim não dá. Vê se dá pra tirar esse pilantra daqui logo. O Truta tá me aprontando um monte e só me dá dor de cabeça."

O delegado, na seqüência, descreve as situações delicadas em que a prisão do ex-prefeito colocou a Polícia Faz-Geral. Ele diz que "ver a sede da PF-G se transformar em uma feira árabe, com um monte de bandejas de quibes e tabule até dá pra agüentar". Indo além, o delegado fala que nem se importa em ter um ex-cantor brega, hoje vereador brega, a fazer plantão e arrumar confusão com Deus e todo mundo na sua porta.

O que enfureceu mesmo o chefe da PF-G são os furtos constantes dentro da organização, que começaram a ocorrer justamente com a chegada de Paluf. O documento diz assim: "Nos primeiros dias, sumiram umas canetas, depois a caixinha — coisa pouca, alguns milhares de reais — que nossos aplicados agentes conseguiram na luta de cada dia. A gente nem se preocupou. Mas ontem ele me aprontou uma daquelas. Desapareceu com nosso estoque de caixinhas para todo o ano fiscal de 2006."

Segundo uma fonte próxima ao chefão da PF-G, o delegado teria até mandado os R$ 2 milhões apreendidos de traficantes para a sede no Rio de Janeiro como meio de se antecipar a uma ação de Paluf, mas nem isso impediu o furto. Ainda de acordo com esse assessor, o chefe teria chorado e dado um soco na mesa quando soube do desaparecimento do dinheiro. "Eu não agüento mais as molecagens desse cara, assim ele enlameia o nome de nossa instituição!"

Paluf, que não pôde ser ouvido pessoalmente, declarou, por meio sua assessoria, "desconhecer as denúncias, prováveis delírios da PF-G. Mas lembrou que um velho ditado libanês diz que ‘ladrão que rouba ladrão de ladrão sai mais cedo da prisão’".

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