terça-feira, 6 de setembro de 2005

George W. Bucho pretende invadir Golfo do México e Mar do Caribe

O presidente dos EUA, depois de consultar suas células de inteligência, concluiu que a devastação causada por Samantha Katrina foi planejada por uma extraordinária organização terrorista que atua na região há séculos

Do enviado especial à excursão anual dos escoteiros à Casa Branca

Documentos confidencias encontrados pela reportagem de A Primeira Vítima na mesa de um estagiário da Casa Branca revelam que, junto com o pedido de ajuda humanitária enviado pelos EUA à Europa, o presidente Bucho anexou um telegrama em código em que conclama aliados europeus à guerra que pretende levar a paz e a democracia ao Golfo do México e ao Mar do Caribe, além, é claro, de acabar com o terrorismo instalado na região.

“Companheiros na luta contra o terror — lê-se no documento —, descobrimos, eu e minhas células de inteligência, que opera na região do Golfo do México uma organização terrorista que vem produzindo armas de destruição em massa e recrutando e treinando terroristas suicidas latinos, como essa tal de Samantha Katrina, dispostos a tudo para acabar com nossa pátria e nossos costumes.”

Bucho fala ainda em salvar a democracia e o mundo civilizado da metade norte do Ocidente rico do mundo. E no fim descreve as atuações anteriores dos terroristas da região, que, ano passado, numa atuação semelhante à da terrorista Katrina “já haviam arrasado as plantações de laranja da Flórida, numa clara tentativa de quebrar o modo de vida americano, baseado na ingestão de doses cavalares de suco super doce e aguado à base de citrus”.

Há ainda uma consideração em tinta vermelha dos estrategistas da Casa Branca que não pôde ser lida integralmente nos cinco segundos em que a reportagem de A Primeira fixou olhos nos documentos. Mas seguramente tratava-se de uma comparação entre as condições do Iraque e das águas ao sul dos EUA. O comentário falava qualquer coisa como: “não faltam razões [para a invasão do Golfo do México]. Prerrogativas históricas presentes: motivo capaz de convencer todas os eleitores menos inteligentes que Vossa Excelência [o presidente] + região rica em líquido escuro cada vez mais caro.”

No fim do documento, há uma página direcionada ao estagiário. Nela, Bucho pede ajuda ortográfica, gramatical e estilística na redação do discurso à nação. Parte do trabalho já havia sido concluído pelo rapaz. O discurso começa assim: “Compatriotas da América, sei das duras penas que estão passando e da indignação que os toma, mas venho a público esclarecer que descobrimos tratar-se de uma bem orquestrada ação de terroristas...” A isso se segue uma série de adjetivos organizados da seguinte maneira: “bastardos ou infames ou calhordas ou invejosos ou filhos da puta”.

No fim da página, já estava escrita a conclusão do discurso: “Enfim, queridos compatriotas, digo que, como comandante-em-chefe de nossas forças armadas, autorizei a invasão do Golfo do México e do mar do Caribe. Nós, que já provamos a eficiência de nossa força aérea, que acerta quase um em cada dez disparos de mísseis, e de nosso exército, que até hoje praticamente não poupou esforços e vidas no Iraque, vamos agora demonstrar como nossa Marinha é capaz de derrotar quaisquer inimigos mesmo nas águas do oponente. Os mentores dos ataques terroristas praticados pelos furacões contra nosso povo e nossa economia não serão poupados! Custe o que custar! Deus abençoe a América e os filhos deste solo. Boa noite ou Bom dia ou Boa tarde.

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