terça-feira, 4 de abril de 2006

Protestos na França: jovens revolucionários socialistas recusam ser tratados como pobres

“Atingiremos a igualdade de classes: os estudantes vão perder os direitos universais que os marginalizados nunca tiveram”, prometeu o Premiê Vallepan

DA TORRE WAIFFEL*

Em mais uma onda de protestos, milhões de estudantes, sindicatos e outros vidas-boas se uniram para parar a França. “O alvo, na falta de algo melhor para fazer, continua sendo a Lei do Primeiro Emprego”, resumiu um estudante da Sorvonne que se identificou como Napoleon e cursa a disciplina “História da cultura gaulesa VI: da revolução francesa ao maio de 68”.

A Lei do Primeiro e Último Emprego (CFD, na sigla em francês) foi aprovada na semana passada e pretende aquecer a livre-economia francesa (liberté, no francês), diminuir o desemprego (fraternité) e promover a igualdade (igualité) entre estudantes de classe média e os pobres da periferia. “Atingiremos a igualdade de classes: os estudantes vão perder os direitos universais que os pobres nunca tiveram acessos”, falou e disse o premiê Dominguinhu du Vallepan.

Baseado nas leis mais primordiais da economia livre de mercado neo-liberal porco-capitalista, a CFD determina que os jovens menores de 26 anos não terão mais “estabilidade” no seu primeiro “emprego”, ficando sujeitos à pena capital da demissão por guilhotina sem indenização ou justificativa. (NOTA DA TRADUÇÃO: Apesar de pouco comuns, “estabilidade” e “emprego” são termos da língua portuguesa e apresentam definições nos principais dicionários: se você não sabe ou não lembra o que significam,
clique aqui). Na França, a pena por demissão foi banida no século XIX durante o reinado de Napoleão III, o Fofo.

“É inaceitável que nossos salários estejam em risco!” gritavam os cartazes empunhados pelos protestantes. Um jovem estudante que a reportagem esqueceu de identificar criticou o governo de Chiraque, Vallepan, Buchê e Robespierre: “Nós silenciamos durante o genocídio de Ruanda e na época da guerra contra a Argélia; nós, os estudantes, podemos agüentar as mortes, a perseguição, o desemprego e a pobreza que os imigrantes [cospe na calçada] africanos, turcos, asiáticos e belgas [cospe três vezes e xinga] sofrem nas periferias – mas no nosso contra-cheque ninguém tasca!”

Os protestos paralisam Paris, Nantes e Bordeaux desde as 10h da manhã de hoje. Mas, como a jornada reduzida de 35 horas semanais também aplica-se aos grevistas, as paralisações devem paralisar-se antes do final da tarde. O comando da greve espera que as mobilizações aumentem no final do mês que vem, quando os principais líderes da Vila Camponesinha voltarem de suas licenças-prêmios na Eurodisney.

* O correspondente internacional está de greve das férias e viaja pela Europa em um corsa verde escuro.

4 comentários:

ana disse...

Fantáááááááástico! Arrasou!

(Agora deixa eu ir no dicionário pra ver o que significam essas palavras emprego e estabilidade)

Olvídio Mor Horelhãns disse...

Depois desse texto, ou as manifestações francesas se encerram ou John Renner morre. Fiquemos com a primeira opção.

Anônimo disse...

Acho que você não pegou o lado certo da coisa. Você botou como os estudantes tivessem errados mas eles foram meios injustiçados e você pegou aquela entrevista daquele estudante nojento e preconceituoso, poderia ter pego uma que mostrava os alunos decentes comentando a injustiça. Aliás, aquele estudante é muito mané, nojento e racista!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Really amazing! Useful information. All the best.
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