quarta-feira, 10 de agosto de 2005

“‘Lulla reeleito’ tem 13 letras”, diz presidente

Exaltado e suado, Lulla sobe no palanque para inaugurar fábrica no sertão

De Cabobrinhas d´Oeste, com populares locais

Em um discurso arre(ba)tado, o presidente Lulla afirmou ontem, durante visita a Cabobrinhas d´Oeste (PI), que suas recentes viagens não têm relação de campanha para o ano que vem e que ainda não decidiu se vai lançar candidatura. “Só digo uma coisa: ‘Lulla reeleito’ tem 13 letras”, insinuou, porém, o presidente, fazendo nova paráfrase de velhas máximas do caquético ex-campeão Sangallo.

Lulla esteve no pequeno município encravado no Vale do Pau Podre, sertão piauiense, para inaugurar uma usina de biodiesel à base de óleo de mamona. “E eu pensava que a mamona só servia pra fazer guerrinha ou pra remédio contra as bicha na barriga, contra disintiria”, revelou o presidente, descontraído no linguajar.

“Não tem nium homem com mais vergonha na cara do que eu. Eu sei a vida dura de cada cabobrinhense porque há muito tempo também já fui flagelado. Esse investimento vai beneficiar milhares de populares da região”, disse.

A nova planta que produzirá o biocombustível recebeu aporte de R$ 1,5 milhão da Garanhuns Trade, Money-Washing and Profits for Only Export, uma multinacional de Antígua e Barbuda com escritório nacional em Montevidéu. “E ela tem o mesmo nome da minha terra natal, vocês viram?”, reparou, com alegria, o presidente.

O diretor da Garanhuns, o ex-deputado Valdemar da Costa Quente, afirmou estranhamente que não lembra direito onde aplicou os recursos: “Sei que foi lá pra cima, no Norte”. Costa Quente mal recordava a finalidade do investimento: “Acho que eu declarei na Receita que era pra fazer carne seca”.

Os populares de Cabobrinhas estão esperançosos com a chegada da indústria e já começam a aumentar a área plantada de mamona. Os pequenos agricultores reclamam que a Bonge, gigante do setor alimentício que tem unidade no município vizinho de Cabuçu Pelado, empregou pouca gente e não reverteu seus lucros em ações socialmente responsáveis para o Vale do Pau Podre, como havia prometido inicialmente.

O presidente Lulla ainda teve um encontro com um folclórico personagem de Cabobrinhas d´Oeste, o Velhinho Sertanejo. Sem saber seu nome de batismo nem idade porque não tem certidão, o quebrador de coco é um antigo contador de causos da cidade. A reportagem de A Primeira Vítima tentou entrevistá-lo, mas pouco entendeu do que o ancião disse.

O diretor Cacá Pieguis, que vai rodar 2 Filhos de Valério (como antecipou A Primeira Vítima), deverá fazer um longa sobre o Velhinho, cujo papel ficaria com o comediante Klébrio Zoares.

Um comentário:

Ana Daltro disse...

Fantástico! Sensacional, hahahaha... E o Velhinho é o melhor, hehehe... :P