quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

TRAGÉDIA NO METRÔ: População vibra de novo

Cobertura ganha novos ares; autoridades convidam especialista

DA REPORTAGEM LOCAL

A primeira fez “tchan!”; a segunda, “tchun!”; e a terceira “tchan!, tchan!, tchan!, tchaaan!”. A seqüência levou a população ao delírio. Trata-se das vítimas encontradas na cratera onde ocorreu o desabamento de terra nas obras do Metrô, em São Paulo.

Enquanto não apareceu um corpinho para esquentar o noticiário, muitos reclamavam da falta de novidades na cobertura do maior desastre material ocorrido na capital paulista. A mídia desesperou-se com a ausência de desespero alheio. Esforçou-se, sem sucesso.

A virada veio com a retirada do primeiro corpo, de uma aposentada que passava pelo local e que foi tragada pela cratera. “Ainda bem, porque o meu chefe já estava quase me matando”, comemorou um repórter que não quis se identificar.

Feliz
No melhor estilo “
é tão emocionante um acidente de verdade”, a imprensa faturou legal com a tragédia. A corrida ao buraco tirou várias emissoras de TV, por exemplo, do fundo poço dos índices de audiência, valor supremo do meio. “O meu chefe tá mó feliz”, confidenciou o mesmo repórter.

A Primeira Vítima foi o único veículo noticioso que prestou solidariedade aos familiares das vítimas, distribuindo gratuitamente a eles um manual. No livreto, dicas de como responder a perguntas do naipe: O que está sentido? Pensa em indenização? Qual foi a última frase que ouviu dele? E por aí vai.

Convite
O Instituto Olívidio Mor Horelhãns de Engenharia, Arquitetura, Decoração e Ensaios sobre Penduricalhos, o maior do gênero no mundo, recebeu um convite de autoridades carecas de dar explicações esdrúxulas sobre as causas do acidente para realizar perícias no local.

“Construímos mais de dezenove mil quilômetros de metrô em Santo André e região e nunca deu merda”, destacou elegantemente o engenheiro civil, mecânico, elétrico, agrônomo, ambiental e criminal, José Carlos de Albuquerque Mor Horelhãns.

O engenheiro nega que o careca do parágrafo acima esteja apreensivo com o resultado do documento. “Nada que um bom depósito... de confiança não ajude a dirimir quaisquer dúvidas do resultado que apresentaremos de acordo com o encomendado.”

2 comentários:

Anônimo disse...

Demoraram pra escrever em 2007, mas chegaram em grande estilo. Continuem assim!

annie disse...

Sensacional!

Hahahahaha!