quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Bandidos devolvem Picaço de Suzane Bloch ao Masppin

Tela foi confundida com pôster de Silvestre Stalonne; presidente do museu critica falta de criatividade dos ladrões, que usaram ferramentas minimalistas para o crime

Um dos mais belos Picaços da fase azul e o Pinguço no fim de carreira

POR SAMEL WEIMAR*

A polícia encontrou na noite do dia 8 de janeiro os dois quadros roubados do Masppin, prendendo dois meliantes. “Resolvemos devolver o quadro porque vimos que não era o pôster do Silvestre Stalonne”, confessou um dos bandidos, afirmando também ser fã do filme Rock e que o quadro iria enfeitar a sala de ginástica de sua casa.

Sobre a tela de Portinary, roubada junto com o Picaço, o outro comparsa afirmou que a pegou “por achar o quadro muito bonito”, o que, para o delegado Juraty Longo, demonstra que eles não conhecem nada sobre arte: “qualquer um sabe que os quadros mais caros são os mais feios”, disse o polícia.

Quando soube da notícia da recuperação das obras, ainda na noite do dia 8, o presidente do Masppin ficou aliviado. “Estava sentindo muita falta do Picaço”, disse Júlio das Neves, “e também do Pôr-tira-e-ri”.

Gênio do crime com mentalidade subdesenvolvida
Perguntado pela reportagem d’A Primeira Vítima sobre não ter evitado o roubo, o presidente das Neves se disse surpreso: “todos sabem que os ladrões de museus entram pela cúpula de vidro do teto e descem por fios de nylon, eles não arrombam a porta da frente com um pé-de-cabra” comentou. “O Brasil é pobre até nisso”, suspirou, levando dois dedos à sobrancelha esquerda. Júlio confundiu os animais: foi usado um macaco hidráulico, não um pé-de-cabra.

Em parceria com a iniciativa privada, que viu que a coisa está brava mesmo, o museu reformulou todo o seu sistema de segurança. Foram doados 12 cadeados grandes, dois médios, uma tranca de correntinha para porta e um papagaio, totalizando R$ 215,70.

Em nota oficial, o governador de São Paulo Josué Serra enfatizou que não tinha nenhuma relação com o roubo, já que “os ladrões usaram um macaco-hidráulico, e nenhuma grade foi serrada no museu”. O prefeito NunKassabe se limitou a dizer estar surpreso e a levar dois dedos à sobrancelha esquerda.

Com uma dívida de mais de R$ 10 mi, o Masppin possui o mais importante acervo da América Latina. Os dois quadros roubados no último dia 22 de dezembro estão avaliados em R$ 100 mi. “Eu não ia vender não, só queria que o Stalonne olhasse eu treinando boxe”, disse o meliante preso, que também pode responder pelo crime de atentado violento ao pudor por tirar o Picaço para fora do museu.

* Samuel Weimar é colaborador d’A Primeira Vítima. Você também pode enviar o seu texto para APV clicando aqui ó.

3 comentários:

John Renner disse...

Weimar mostra nesse fantástico trabalho de apuração que poderia ser contratado por qualquer veículo jornalístico que ainda contrate repórteres.

Anônimo disse...

Eu tenho todos os seus discos, senhor Weimar!

annie disse...

SENSACIONAL!

Muito bom mesmo...