terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Crise mundial afetará Brasil, dizem analistas

A Primeira Vítima ouviu os principais nome da economia nacional

DA REPORTAGEM SENSACIONAL

A forte crise nos mercados internacionais deflagrada nesta segunda-feira (21) gera incertezas no Brasil. Para afastar-se das declarações oficiais – dever do jornalismo descompromissado, competente e sério –, A Primeira Vítima ouviu outras fontes na tentativa traçar um quadro sobre o futuro da nação. Os analistas divergem sobre conseqüências para o país.

“A queda do preço das commodities – como petróleo e ferro – deve afetar nossa balança comercial, reduzindo nosso superávit. Por outro lado, com a entrada de investimentos externos, o dólar deve cair, prejudicando ainda mais as exportações”, prevê Maria da Silva, 73, vendedora de amendoins no centro de São Paulo.

“A turbulência estadunidense está diretamente relacionada ao subprime [hipotecas de alto risco], o que deve desencadear uma readequação no mercado de crédito imobiliário, reduzindo a liquidez”, ponderou José Antônio da Silva, 48, porteiro na região da Itaquera, zona leste paulistana.

“A China é o país com maior número de ativos nos EUA, cujo consumo representa cerca de 70% PIB. Se esse consumo cai, os ativos se depreciam. Com isso, a China se enfraquece. O Brasil, por sua vez, sofrerá também, pois mantém estreita relação comercial com o país asiático. Portanto, precisamos rever imediatamente nossa estratégia internacional de vendas concentradas”, analisa João Carlos da Silva, 35, cobrador de ônibus.

“Todos aqui lembram dos dois principais erros de Alan Greenspan, que presidiu o Fed [O Banco Central norte-americano] por 18 anos. O primeiro foi não regular o mercado de hipotecas. O segundo, e mais cruel, foi o corte acentuado da taxas de juros americanos, dando a impressão de que a inflação havia recuado. Mô mancada, meu!”, descreve Ailton da Silva, 29, camelô na Praça da Sé, no centro.

“O resultado prático é o ‘moral hazard’ [Com ‘z’, seu animal! – explicando ao repórter com se grafa a palavra.], que é o risco moral de salvar investidores e instituições que se arriscaram em excesso no mercado de capitais norte-americano. Essa é, digamos, a herança maldita recebida pelo Ben Bernarke, atual presidente do Fed”, completou Antônio da Silva, 43, colega de Airton na Praça da Sé.

“O mercado interno está aquecido. Isso garante certa autonomia para as finanças nacionais, mas pode gerar pressão inflacionária. Para manter a meta de inflação, em torno de 4,5%, o Banco Central pode rever a política de taxas de juros, com um aumento de 0,75 ponto percentual já na próxima reunião do Copom [Comitê de Política Monetária], o que seria uma surpresa para o mercado interno, que prevê elevação máxima de 0,5 ponto, caso se mantenha esse cenário”, detalha Cleomar da Silva, 33, mecânico de autos.

4 comentários:

John Renner disse...

Ótimo!

Anônimo disse...

Perfeito!

ivan cortez disse...

no momento o que o brasil menos precisa é de aumento de jusros, essa atitude desistimular o consumo gerando mais desemprego,no meu entender o juros deveria cair no minimo 3 pontos para estimular o consumo, mas o governo nunca abri mão de suas arrecadações

Anônimo disse...

eu moro lá em casa